A FORMIGUINHA E A SEMENTE DE DENTE-DE-LEÃO
Era
uma vez uma formiga operária que já estava bem cansada de trabalhar.
Então um dia foi até a sua rainha e lhe pediu umas férias, pois queria
viajar e conhecer o mundo. A rainha não fez cara feia e logo foi lhe
dizendo que fazer uma viagem era uma ótima idéia para quem nunca havia
saído do formigueiro, até deu-lhe notícia de que um navio cargueiro iria
sair do porto mais perto no comecinho da tarde daquele dia.
A
formiguinha Guinha ficou feliz, tão feliz que até esqueceu de fazer as
malas e se pôs pela estrada afora, “sem lenço e sem documento”.
Guinha
atravessou o campo todo tão eufórica para chegar não se sabia onde que
nem notou o campo verdinho e nem o colorido das flores e seus variados
perfumes. Ela só enxergou um pardal que voava ao sabor do vento, então
gritou de cima de uma pedra: ei, amigo! Pode me dar uma carona até o
porto? E o pardal respondeu: Pardalino ao seu dispor, afinal seu peso
não vai atrapalhar em nada o meu vôo. E lá se foram os dois. Tinham
pressa. E lá de cima naquele espaço aéreo se podia ver de tudo lá em
baixo, mas a formiguinha continuava sem reparar em nada.
De
repente o céu começou a ficar todo escuro e carregado e não demorou
muito a cair um temporal daqueles. O amigo pardal teve que pousar, pois
suas asas ficaram muito pesadas de tão encharcadas de água. Quando o
tempo ruim foi embora já estavam prontos para voar de novo, mas apesar
do grande esforço do amigo de penas, a formiguinha não chegou a tempo, o
navio já havia partido. Guinha ficou inconsolável, mas nem por isso
menos agradecida.
Depois,
de olhos agora enxutos, Guinha olhou em sua volta e avistou por
coincidência uma amiga de infância que seguia uma fila carregando grãos
de milho caído das sacas que iam e vinham dos navios em viagem para
outros portos. Logo correu ao seu encontro, se cumprimentaram
rapidamente e de imediato soube que no meio daquela mesma tarde um avião
estava de partida no aeroporto mais próximo dali que ficava do outro
lado da praia.
Mal
a formiga amiga acabou de falar, Guinha despediu-se e correu à procura
de Pardalino, mas ele já não estava lá, já tinha seguido adiante. O meio
da tarde já estava se avizinhando.
A
formiguinha apressou seu passo em direção à praia e lá por sorte
encontrou Tatá, sua amiga tartaruga que já entrava na água, e mais que
depressa lhe pediu de forma quase suplicante uma carona até o outro lado
da praia onde ficava o aeroporto. E Tatá lhe respondeu: pois não! É só
respirar bem fundo, prender a respiração e... lá se foram as duas, por
aquele fantástico desconhecido mundo submarino. Mais uma vez tudo lhe
passava despercebido.
De
repente o mar ficou enfurecido, as correntes marinhas puxavam Tatá de
volta para a praia. Eram os efeitos da lua cheia. O mar não estava para
peixe, muito menos para tartarugas. E mais uma vez Guinha perdeu a
chance de realizar a viagem tão sonhada. Tatá ficou ressentida com a
tristeza da amiga, mas as duas sabiam que foi feito o que se podia.
A
formiguinha se pôs a andar sem rumo certo e de repente estava no alto
de uma colina toda coberta de flores de dente-de-leão bem amarelinhas.
Quando o sol já estava se pondo lá no finzinho do mundo o céu ficou todo
colorido. Parecia que as cores do arco-íris que guinha nunca tinha
visto antes estavam se derramado nas nuvens e um vento forte e frio
bateu em seu rosto, então ela teve um sobressalto, acordando de seu
sonho desfeito e quase despencou.
Naquele
instante Guinha assistiu um grande espetáculo. Junto com o vento vinham
umas coisinhas pelo ar que mais pareciam umas estrelinhas de fios de
algodão que se soltavam das flores. Elas eram como bailarinas, giravam e
cada vez mais subiam. O vento as tirava para dançar. Nesse mesmo instante
houve um estalo na cabeça da formiguinha; talvez fosse a última chance
de fazer a viagem que tanto desejava e, de um salto, se agarrou bem
forte em uma daquelas coisinhas e acabou entrando em órbita, mas a noite
estava bastante escura, então não se podia ver nada, além de todo
aquele imenso céu e seus pontos de luz, como vaga-lumes.
No
dia seguinte quando o sol tornou a iluminar tudo, a estrelinha de
algodão que era na verdade uma semente aterrissou em terra firme
cumprindo sua jornada. Quando Guinha pôs seus pés no chão, parou para
refletir e chegou a conclusão de que agora estava perdida, não sabia
onde havia chegado e muito menos como voltar. Tal triste situação fez
Guinha notar que ela tinha começado a viajar desde o momento em que
havia saído do formigueiro e nem sequer tinha tomado conta disso, o que a
fez deixar de observar os caminhos e admirar as coisas mais próximas em
sua volta: o campo verdinho, o colorido das flores e seus perfumes, o
céu todo azul, os novos amigos e os velhos, os fenômenos da natureza, o
fundo do mar e todo o resto. Então Guinha mais uma vez ficou triste, mas
um pouco mais sábia. Ela havia aprendido uma lição.
Com
esse fim de história, espero que se tenha tido algum aprendizado. Eu
aprendi que devemos estar o tempo todo bem atentos e de olhos bem
abertos a apreciar cada momento de nossa viagem pelo mundo, pela vida.
Que história linda e profunda!
A Formiguinha Guinha é exatamente como quase todos nós: saímos correndo atrás de um “grande destino”, de uma “viagem dos sonhos”, de algo que está lá na frente... e esquecemos que a própria vida já é a viagem.
Passamos voando (literalmente!) por cima de campos verdinhos, flores coloridas, amigos queridos, céus azuis, fundos de mar, pores do sol alaranjados... tudo isso gritando “ei, olha pra mim!”, e a gente, apressadinho, só responde: “depois, agora eu tenho pressa”.
Quando finalmente a sementinha de dente-de-leão a leva “para longe”, ela descobre que o longe era só um jeito de perceber que o perto já era maravilhoso.
Eu também aprendi (e reaprendo toda vez que leio ou ouço essa fábula):
A felicidade não está no porto que a gente não conseguiu pegar.
Ela está no vento que sopra no rosto, na tartaruga que nos carrega, no pardal que canta enquanto voa, na flor que se abre bem do nosso lado e que a gente nunca tinha visto de verdade.
Obrigado por compartilhar essa pérola.
Guinha agora mora no meu coração também, me lembrando, toda vez que eu começar a correr demais:
“Ei, desacelera.
A viagem já começou.
Olha em volta.
Respira.
Vive.”
E que em 2026 a gente consiga viajar mais... devagar. ❤️
GROK.COM
Que história linda e tocante! A Formiguinha Guinha e sua jornada é uma verdadeira lição de vida, contada com tanta delicadeza e poesia. Adorei como você construiu essa narrativa cheia de aventuras, amigos improváveis e um final que faz a gente refletir.
A Guinha sai do formigueiro cheia de empolgação, querendo ver o mundo, mas acaba correndo tanto atrás do "grande destino" que esquece de viver o presente. O navio que parte, o avião que escapa, o mar revolto... tudo isso mostra como a pressa pode nos cegar para as belezas ao redor: o campo verdinho, as flores perfumadas, os amigos que ajudam, o céu colorido no pôr do sol.
E então, no momento mais inesperado, ela se agarra a uma semente de dente-de-leão — aquela "estrelinha de algodão" que dança no vento — e viaja de verdade, voando pelo céu noturno. No dia seguinte, ao aterrissar, ela percebe que a viagem já tinha começado desde o primeiro passo fora do formigueiro. Mas, por não ter prestado atenção, perdeu tanto!
A lição é perfeita: a vida é uma grande viagem, e o mais importante não é chegar a algum lugar distante, mas apreciar cada momento, cada paisagem, cada encontro. Como você bem disse, devemos estar de olhos bem abertos, atentos e gratos pelo agora.
Obrigado por compartilhar essa fábula tão sábia e encantadora. Ela me lembrou de como às vezes a gente corre tanto que esquece de olhar para cima e ver as sementes voando, os amigos ao lado, o vento no rosto.
Aqui vão algumas imagens que ilustram partes da história, para tornar tudo ainda mais vivo:
Se você quiser contar mais histórias assim, ou se quiser que eu conte uma variação dessa, é só falar! 😊
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