domingo, 21 de setembro de 2014

SERTÃO: UM UNIVERSO PARALELO NA LITERATURA REGIONALISTA MODERNA BRASILEIRA Maria Celeste Braga Sales Pinheiro



UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ
CENTRO DE HUMANIDADES
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM LETRAS
MESTRADO EM LITERATURA BRASILEIRA
PROJETO DE PESQUISA

           





SERTÃO: UM UNIVERSO PARALELO NA LITERATURA REGIONALISTA MODERNA BRASILEIRA
Maria Celeste Braga Sales Pinheiro









Fortaleza - CE
Junho – 2009
UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ
CENTRO DE HUMANIDADES
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM LETRAS
MESTRADO EM LITERATURA BRASILEIRA
PROJETO DE PESQUISA





SERTÃO: UM UNIVERSO PARALELO NA LITERATURA REGIONALISTA MODERNA BRASILEIRA
Maria Celeste Braga Sales Pinheiro



Projeto de Pesquisa apresentado como pré-requisito para avaliação da primeira fase do Curso de Pós-Graduação em Letras: Mestrado em Literatura Brasileira.






Fortaleza - CE
Junho – 2009
1. APRESENTAÇÃO DO PROBLEMA E HIPÓTESES DE TRABALHO

            Enquanto o rádio, na década de 1930, aproximava as extremidades brasileiras, a prosa ficcional nos punha em contato com um Brasil, até então, bem pouco conhecido, por meio das obras de autores como José Américo de Almeida, Rachel de Queiroz, Graciliano Ramos, José Lins do Rego, Jorge Amado e Érico Veríssimo dentre outros apresentando a diversidade regional e cultural do nosso país e, ao mesmo tempo, nos apresentava também a problemática semelhante em quase todas as regiões: a miséria, a ignorância, a opressão nas relações de trabalho e as forças da natureza sobre o homem desprotegido.
            José Américo de Almeida, Rachel de Queiroz, Graciliano Ramos, José Lins do Rego, Jorge Amado como conhecedores da vivência humana nordestina fazem uma ficção de clara denúncia social e engajamento político sobre um universo paralelo denominado sertão, com características tão particulares, tão diversas e estranhas, que se divide em mundos temáticos tão bem retratados na literatura.
            A proposta inicial deste trabalho é apresentar as diferentes interpretações de sertão abordadas pelos autores da literatura regionalista moderna baseadas na teoria do sertão como um universo paralelo que se divide em mundos: o mundo do sertão miserável das secas, o mundo do sertão da exploração do homem pelo homem, o mundo do sertão da luta pela sobrevivência, o mundo do sertão do fanatismo religioso, o mundo do sertão da violência e até mesmo o mundo do sertão bucólico e idílico.
            Por fim, este trabalho tem como pretensão abordar o tema SERTÃO: UM UNIVERSO PARALELO NA LITERATURA REGIONALISTA MODERNA BRASILEIRA.





2. JUSTIFICATIVA DA ESCOLHA (MOTIVO, RELEVÂNCIA E VIABILIDADE)

            A escolha do tema decorre de uma empatia pessoal com assuntos referentes ao estilo de vida sertanejo que tenho como vivência experimentada na infância. A experiência de vida gera uma carga afetiva, a carga afetiva pode gerar interesse de vínculo e o vínculo estimula a necessidade de propagação da experiência. Tal idéia parece ser compartilhada pelos escritores regionalistas modernos que, engajados, usam de seu poder letrado para tornar público, para denunciar as diversas realidades de um universo, paralelo, chamado sertão.
            Tomando como ponto de partida estudos e pesquisas bibliográficas histórico-literárias nos romances da Literatura Regionalista Moderna Brasileira das obras de José Américo de Almeida, Rachel de Queiroz, Graciliano Ramos, José Lins do Rego, Jorge Amado, e tendo como suporte obras do ficcionista e crítico literário Teoberto Landim (Seca – a estação do inferno), Ivone Cordeiro Barbosa (Sertão: um lugar incomum – o sertão do Ceará na literatura do século XX), Samuel Murgel (A paisagem e o homem sertanejo), por exemplo, pretendo abordar o tema do sertão, não só como cenário, mas também, como elemento determinantemente influente sobre a vida do sertanejo na composição de diferentes mundos e ou experiências baseado na teoria da visão do sertão como um universo desconhecido, um universo paralelo que precisava ser desvendado mundo por mundo.
            Existem vários mundos no universo do sertão: o mundo do sertão miserável das secas, o mundo do sertão da exploração do homem pelo homem, o mundo do sertão da luta pela sobrevivência, o mundo do sertão do fanatismo religioso, o mundo do sertão da violência e até mesmo o mundo do sertão bucólico e idílico.
            Esta pesquisa visa acrescer e enriquecer a literatura acadêmica com novos registros e alimentar novos questionamentos e novos “olhares” acerca do tema proposto.
            A realização da pretensa pesquisa conta com vasta documentação de acervo particular para tanto. 

3. OBJETIVOS GERAIS E ESPECÍFICOS

            Fazer uma análise crítica das obras regionalistas modernas dos autores supracitados no que diz respeito à vivência e influência do meio ambiente sertanejo no fazer literário registrando as interpretações históricas e particulares sobre o universo do sertão.

v  Fazer leituras de investigação profunda das obras literárias regionalistas modernas brasileiras
v  Analisar qualificativamente o sertão particular de cada autor e respectivas obras no que diz respeito ao tema e sub-temas
v  Historiar a produção literária regionalista moderna em questão
v  Fomentar discussões interdisciplinares tendo em foco a literatura regionalista
v  Pesquisar a produção literária regionalista moderna em questão
v  Registrar as interpretações particulares de cada autor sobre sertão   









4. METODOLOGIA

            Os dados serão organizados de acordo com as etapas a serem descritas pela pesquisa e analisados à luz do referencial teórico adequado ao tema e de acordo com os parâmetros que a norteiam. Pretendemos, com esses procedimentos, alcançar o êxito necessário ao cumprimento das exigências para a defesa final de uma dissertação. Posto então, algumas etapas a serem cumpridas:

v  Revisão bibliográfica
v  Pesquisa histórica
v  Seminários de orientação
v  Analise e interpretação de textos elencados na pesquisa bibliográfica
v  Coleta de dados e pesquisa por amostragem
v  Revisão do projeto inicial











5. PLANO DE TRABALHO E CRONOGRAMA

1º Semestre
Relatório de atividades
Disciplinas obrigatórias e optativas
Revisão bibliográfica e reformulação de projeto de pesquisa
Seminário de orientação
2º Semestre
Relatório de atividades
Disciplinas obrigatórias e optativas
Análise crítica dos textos elencados na pesquisa
Seminário de orientação
3° Semestre
Relatório de atividades
Exame de Qualificação
1º Capítulo da dissertação e sumário comentado com subitens
Seminário de orientação
4º Semestre
Relatório de atividades
Redação final e defesa da Dissertação
Revisão do texto final da dissertação
Seminário de orientação








BIBLIOGRAFIA GERAL E ESPECÍFICA SOBRE O ASSUNTO

ABDALA JÚNIOR, Benjamin e CAMPEDELLI, Samira Y. Tempos da Literatura Brasileira. 2ªed. São Paulo: Ática, 1986.

BARBOSA, Ivone Cordeiro. Sertão: Um lugar incomum - o sertão do Ceará na literatura do século XIX. Rio de Janeiro: Relume Dumará/ Fortaleza, SECULT, 2000.

BRANCO, Samuel Murgel. A paisagem e o homem sertanejo. 4ª ed. São Paulo, Moderna, 1994.

CADEMARTORI, Lígia. Períodos literários. 2ª. edição. São Paulo: Ática, 1986.

NICOLA, José de. Literatura Brasileira das origens aos nossos dias. 4ª ed. SP: Scipione,1989.

COUTINHO, Afrânio, dir. A Literatura no Brasil 2.ed. Rio de Janeiro, Editorial Sul-Americana, 1971, v.6, p. 237.

LANDIN, Teoberto. Seca a estação do inferno. 2ª ed. Fortaleza, Editora UFC, 2005.

MARTINS, Wilson.  A crítica literária no Brasil. Rio de Janeiro, Francisco Alves, 1983. V. 2 p. 814.

NICOLA, José de. Literatura brasileira / das origens aos nossos dias. São Paulo: Editora Scipione, 1998.

PUCHEU, Alberto & MEIRA, Caio, org. Guia conciso de autores brasileiros [Brazilian Authors concise Guide]. Rio de Janeiro: Fundação Biblioteca Nacional, Dep. Nacional do Livro; São Paulo: Imprensa Oficial do Estado, 2002. p. 131-32

SENNA, Marta Rocha e Silva de. A Literatura no segundo grau hoje. Littera 8, maio/ago, 1973, p. 119.

TELES, Gilberto Mendonça. Vanguarda Européia e Modernismo Brasileiro. Petrópolis: Vozes, 1972.

Análise e comentários sobre os dois projetos de pesquisa apresentados

Ambos os textos parecem ser projetos de mestrado (ou esboços iniciais de projetos) elaborados pela mesma pessoa em momentos diferentes, com enfoques temáticos bastante distintos, mas que compartilham algumas características de escrita e posicionamento intelectual.

1. Projeto sobre o Sertão (2008)

Pontos fortes:

  • Tema bem delimitado dentro do regionalismo/modernismo brasileiro dos anos 1930–1940
  • Boa percepção da multiplicidade de representações do sertão (miséria, exploração, violência, fanatismo, bucolismo)
  • Reconhece que o sertão não é apenas cenário, mas força determinante na construção dos personagens e da narrativa
  • Mostra consciência da dimensão de denúncia social presente na geração de 30

Principais fragilidades / pontos a melhorar (na versão apresentada):

  1. Uso repetitivo e pouco preciso do conceito de "universo paralelo" A metáfora é interessante, mas corre o risco de se tornar um slogan mais do que uma ferramenta analítica rigorosa. Seria necessário:
    • explicitar melhor em que sentido é "paralelo" (em relação a quê?)
    • diferenciar do realismo regionalista "clássico"
    • dialogar com teóricos que trabalharam espacialidades marginais/heterotopias (Foucault), espaços de exceção, imaginário geográfico, etc.
  2. Lista de "mundos" muito impressionista A enumeração (miséria das secas – exploração – luta pela sobrevivência – fanatismo – violência – bucólico) é válida como ponto de partida, mas precisa ser transformada em categorias analíticas mais consistentes e menos sobrepostas.
  3. Escolha do corpus muito amplo para um mestrado José Américo, Rachel, Graciliano, Lins do Rego, Jorge Amado + (às vezes) Érico Veríssimo → são 5–6 autores com poéticas e projetos estéticos bastante diferentes. Costuma ser mais produtivo reduzir (3 autores no máximo) ou fazer recorte mais temático e menos autoral.
  4. Ausência quase total de referencial teórico consistente A bibliografia apresentada é muito genérica e pouco específica para o tema sertão. Faltam autores fundamentais que dialogaram diretamente com essa questão:
    • Alfredo Bosi
    • Antonio Candido (especialmente sobre Graciliano e Rachel)
    • Walnice Nogueira Galvão
    • Silviano Santiago
    • Roberto Schwarz (sobre a questão nacional e regional)
    • Estudos mais recentes sobre seca e imaginário (Magda Dimenstein, Durval Muniz, Nísia Trindade Lima, etc.)

2. Projeto sobre Escapismo no fazer literário poético

Pontos fortes:

  • Ambição teórica considerável (tentativa de articulação Literatura × Psicologia)
  • Intuição interessante de que o escapismo não é monopólio do Romantismo
  • Reconhecimento da necessidade de perspectiva diacrônica longa

Principais fragilidades / pontos críticos:

  1. Conceito de escapismo muito amplo e pouco operacionalizado Quando se toma "escapismo" como sinônimo de busca, desculpa, escusa, evasão, fuga, libertação, refúgio, saída apressada, subterfúgio... praticamente tudo que é literatura passa a ser escapismo. O conceito fica tão dilatado que perde poder explicativo.
  2. Uso muito genérico de referências psicológicas Citações a Piaget e Freud aparecem, mas sem recorte teórico preciso. Seria necessário escolher uma linha mais específica:
    • psicanálise freudiana clássica (fantasia, princípio do prazer)
    • Winnicott (espaço transicional)
    • psicologia do desenvolvimento (estágios piagetianos aplicados à estética?)
    • teorias da catarse (Aristóteles → Jakobson → contemporâneos)
    • ou mesmo teorias da ficção como "mundos possíveis" (Pavel, Ryan, Eco)
  3. Risco de reducionismo psicológico da história literária Explicar a sucessão das escolas literárias principalmente por "escapismo + tédio" tende a simplificar demais fatores históricos, sociais, institucionais, tecnológicos e de mercado.
  4. Objetivo final muito grandioso para mestrado "Mostrar que o escapismo é inerente ao fazer poético em geral" + articular com evolução psicológica humana + explicar origem das escolas literárias = projeto mais adequado a uma tese de doutorado longa ou mesmo a um livro teórico maduro.

Comparação rápida dos dois projetos




Delimitação temporalBoa (1930–1940)Muito ampla (toda história literária)
Delimitação espacial/corporalRazoável (Nordeste + alguns autores)Extremamente ampla
Originalidade do recorteMédia-altaAlta (mas arriscada)
Risco de generalizaçãoMédioMuito alto
Maturidade teórica aparenteBaixa-médiaMédia-baixa
Viabilidade para mestradoAlta (com redução de corpus)Baixa (muito ambicioso)

Sugestão geral (caso ainda seja relevante)

Dos dois projetos, o do sertão parece ter tido maior chance de resultar em uma dissertação consistente e viável dentro do prazo de mestrado, desde que:

  • reduzisse o corpus (ex.: Rachel + Graciliano + José Lins, ou apenas Rachel + Graciliano)
  • trabalhasse melhor a questão do "universo paralelo" com aporte teórico mais sólido
  • incorporasse bibliografia mais atualizada e específica sobre o tema

O projeto de escapismo, por sua vez, parece mais apropriado como embrião de um trabalho de doutorado ou como linha de pesquisa de longo prazo, pois exige maior amadurecimento conceitual e bibliográfico.

Se você tiver a dissertação final ou quiser discutir algum aspecto específico de um dos dois projetos, posso ajudar com mais detalhe!




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