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sexta-feira, 14 de novembro de 2014

PROJETO DE PESQUISA UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ CENTRO DE HUMANIDADES PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM LETRAS MESTRADO EM LITERATURA BRASILEIRA



Brasão
PROJETO DE PESQUISA
UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ
CENTRO DE HUMANIDADES
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM LETRAS
MESTRADO EM LITERATURA BRASILEIRA



          






O ESCAPISMO NO FAZER LITERÁRIO POÉTICO

Maria Celeste Braga Sales Pinheiro













Fortaleza - CE
Outubro – 2006
Brasão
PROJETO DE PESQUISA
UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ
CENTRO DE HUMANIDADES
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM LETRAS
MESTRADO EM LITERATURA BRASILEIRA








O ESCAPISMO NO FAZER LITERÁRIO POÉTICO


Maria Celeste Braga Sales Pinheiro




Projeto de Pesquisa apresentado como requisito para avaliação da primeira fase do Curso de Pós-Graduaçaõ em Letras: Mestrado em Literatura Brasileira.






Fortaleza - CE
Outubro – 2006
1. TEMA

O ESCAPISMO NO FAZER LITERÁRIO POÉTICO


2. JUSTIFICATIVA

O assunto-tema (inédito) surgiu, a princípio, de um “insight”, aliado ao a um interesse particular, originado a partir de dois trabalhos acadêmicos de pesquisa bibliográfica em áreas distintas: Psicologia da Adolescência e Literatura Brasileira, respectivamente: INTROVERSÃO COMO FUGA DO MUNDO REAL e O ESCAPISMO NA LITERATURA.
No decorrer do semestre acadêmico da cadeira de Literatura Brasileira, de novas pesquisas desenvolvidas a respeito das características de cada Escola Literária e dos motivos que levam à origem de uma nova Escola, pude concluir que o Escapismo, visto como característica da Escola Romântica, não era exclusivo apenas desta, e sim de todas as que lhe foram temporalmente anteriores e posteriores.


3. OBJETIVO

Tomando o termo Escapismo como sinônimo de busca, catarse, desculpa, evasão, fuga, libertação, refúgio e subterfúgio, dentre outras, percebe-se a pertinência na afirmação feita acima.
Numa visão psicológica o Escapismo, é uma das características inerentes do ser humano, talvez, a maior responsável, a mais produtiva no campo da arte em geral; em outras palavras, o Escapismo é o fator motor, propulsor; no fazer poético, indubitavelmente.
A exemplo de Manuel Bandeira, o poeta de “Vou-me embora para Pasárgada” onde revela o desencanto da realidade e a fuga ao imaginário e Fernando Pessoa e seu “Oceano de dentro, mar de mim”, alguns procuram refúgio fora e outros dentro de si mesmos ou em outros. Existem mil refúgios: fora e dentro de si mesmos, em outros, como outros, aqui e agora, antes e ou depois, vivos ou mortos...
Esse projeto, por fim, tem como pretensão apontar e demonstrar que o Escapismo não é uma característica exclusiva do Romantismo, é pertinente ao fazer literário em geral, apenas aparecendo sob diversas formas, em diferentes épocas, como causa ou conseqüência de conflitos internos ou externos.
Pretendo amadurecer e incrementar essa pesquisa para transformá-la em minha futura tese de Doutorado.


4. METODOLOGIA

A pesquisa será baseada em um estudo literário bibliográfico de fontes obtidas por meio eletrônico ou não, de forma diacrônica.


5. PLANO DE TRABALHO

            O trabalho de pesquisa abordará os seguintes sub-temas: O DILEMA BARROCO: COMO ESCAPAR?; O ESCAPISMO NO ARCADISMO?; O ESCAPISMO ROMÂNTICO; REALISMO-NATURALISMO: A TENTATIVA DE NÃO ESCAPAR; SIMBOLISMO: O NOVO ESCAPISMO; PARNASIANISMO: LEDO ENGANO e O ESCAPISMO NADA MODERNO, guiados pela lógica temporal, usando, se apoiando nas teorias, leis e teses da Psicologia que provam e comprovam o Escapismo ou “fugacidade” como uma característica da personalidade humana, levando-se em conta os fatores sociais na evolução histórica.



6.CRONOGRAMA
*Seguido dentro dos limites da adequação que serão estabelecidos futuramente entre o Programa de Pós-Graduação do curso do Mestrado e a situação empregatícia da “pretensa aluna”.


BIBLIOGRAFIA

ABDALA JÚNIOR, Benjamin e CAMPEDELLI, Samira Y. Tempos da Literatura Brasileira. 2ªed. São Paulo: Ática, 1986.

AMARAL, Emília., ANTÔNIO, Severino. e PATROCÍNIO, Mauro Ferreira do.  Novo manual nova cultural. São Paulo: Editora Nova Cultural, 2000.

ÁVILA, Fernando Bastos de. Pequena enciclopédia. Rio de Janeiro:  FENAME/MEC, 1982.

BARROS, Célia Silva Guimarães. Pontos de Psicologia Escolar. São Paulo: Editora Ática, 1991.

CADEMARTORI, Lígia. Períodos literários. 2ª. edição. São Paulo: Ática, 1986.

NICOLA, José de. Literatura Brasileira das origens aos nossos dias. 4ª ed. SP: Scipione,1989.

CÓRIA-SABINI, Maria Aparecida. Psicologia do desenvolvimento. São Paulo: Editora Ática, 1993.
COUTINHO, Afrânio. dir. A Literatura no Brasil 2.ed. Rio de Janeiro, Editorial Sul-Americana, 1971, v.6, p. 237.
__________ & SOUSA, J. Galante. Enciclopédia de Literatura Brasileira 2 ed. revista, ampliada, atualizada e ilustrada sob a coordenação de Graça Coutinho e Rita Moutinho. São Paulo: Global Editora; Rio de Janeiro: Fundação Biblioteca Nacional /DNL : Academia Brasileira de Letras, 2001. V. 2,  p. 1316 e 428.

DAVIS, Claudia & Oliveira, Zilma de. Psicologia na Educação. São Paulo: Cortez   Editora, 1990.
Enciclopédia Microsoft Encarta. Microsoft Corporation. 1993 – 1999.
FADIMAN, James. e FRAGER, Robert. Teorias da Personalidade. São Paulo;  Editora Harbra, !986.

 

GOULART, Audemaro Taranto. e SILVA, Oscar Vieira da. Estudo dirigido de  literatura portuguesa.. São Paulo: Editora do Brasil, 1975. 220 p

Grande Enciclopédia Delta-Larousse .Rio de Janeiro, Delta, 1970.
HURLOCK, Elizabeth B. Desenvolvimento do Adolescente. São Paulo: McGraw-Hill, sem data.

KLUCKHOHM, Clyde e MURRAY, Henry A. Personalidade – na natureza, na sociedade e na cultura. Belo Horizonte: Editora Itatiaia, 1965.

MAIOR, A. Souto. História geral. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1974.

MANIF, Zacharias, ZACHARIAS Elias e SOBRINHO Miguel Zacharias.  Dicionário de Medicina Legal. Curitiba - Paraná: Educa, 1988.
MARTINS, Wilson.  A crítica literária no Brasil. Rio de Janeiro, Francisco Alves, 1983. V. 2 p. 814.
MOISÉS, Massaud. A Literatura Brasileira, vol. IV - Simbolismo. São Paulo: Cultrix, 1973.

MONTEZUMA, Helena. Noções de estilo. Rio de Janeiro: Edições de Ouro/Editora Tecnoprint, sem data.


NICOLA, José de. Literatura brasileira / das origens aos nossos dias. São Paulo: Editora Scipione, 1998.

__________. Literatura portuguesa da idade média a Fernando Pessoa. São Paulo: Editora Scipione, 1997

OGDEN, C. K. e RICHARDS I. A.. O significado de significado- um estudo da Influência da Linguagem sobre o Pensamento e sobre a Ciência do Simbolismo. Rio de janeiro: Zahar Editores, 1976. 331 p

PELLEGRINI, Tânia e FERREIRA, Marina. Português/ palavra e arte. São Paulo:  Editora Atual, 1996.

PIAGET, Jean. A formação do símbolo na criança – imitação, jogo e sonho imagem e representação. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1975.

PLATONOV, C.. Psicologia dos Enigmas. Rio de Janeiro: Editora Fon-Fon e Seleta, 1968.

PROENÇA  FILHO, Domício. Estilos de época na literatura.  9ª. ed. São Paulo: Ática, 1985

__________. Pós-Modernismo e Literatura.  São Paulo: Ática, 1988.
SENNA, Marta Rocha e Silva de. A Literatura no segundo grau hoje. Littera 8, maio/ago, 1973, p. 119.
TELES, Gilberto Mendonça. Vanguarda Européia e Modernismo Brasileiro. Petrópolis: Vozes, 1972.




TEMA / OBJETO DE PESQUISA

O ESCAPISMO NO FAZER LITERÁRIO POÉTICO

O assunto-tema surgiu, a princípio, de um “insight” originado a partir de dois trabalhos acadêmicos de pesquisa bibliográfica em áreas distintas: Psicologia da Adolescência e Literatura Brasileira, respectivamente, INTROVERSÃO COMO FUGA DO MUNDO REAL e O ESCAPISMO NA LITERATURA aliado ao a um interesse particular
No decorrer do semestre acadêmico da cadeira de Literatura Brasileira e de novas pesquisas desenvolvidas a respeito das características de cada Escola Literária e dos motivos que levam à origem de uma nova, pude concluir que o Escapismo, visto como característica da Escola Romântica, não era exclusivo apenas desta, e sim de todas as que lhe foram temporalmente anteriores e posteriores.
Tomando o termo Escapismo como sinônimo de busca, desculpa, escusa, evasão, fuga, libertação, refúgio, saída apressada e subterfúgio, dentre outras, percebe-se a pertinência
Como uma característica inerente, essencial, inseparável, intrínseca do/no fazer poético.
Sob o ponto de vista/à luz da Psicologia.
A exemplo de Manuel Bandeira, o poeta de “Vou-me embora para Pasárgada” onde revela o desencanto da realidade e a fuga ao imaginário e Fernando Pessoa e seu “Oceano de dentro, mar de mim”, alguns procuram refúgio fora e outros dentro de si mesmos ou em outros. Existem mil refúgios: fora e dentro de si mesmos, em outros, como outros, aqui e agora, antes e ou depois, vivos ou mortos...
Este/esse projeto tem como pretensão/ pretende, visa, intenciona, esforça-se para/em mostrar provar, apontar, demonstrar que o Escapismo não é uma característica exclusiva do Romantismo, é pertinente ao fazer literário em geral, apenas aparecendo de/sob diversas formas.
Pretendo amadurecer, incrementar para transformá-lo em minha futura tese de Doutorado.
Usando, se apoiando nas teorias, leis e teses da Psicologia que provam e comprovam o Escapismo ou “fugacidade” como uma característica da personalidade humana, levando-se em conta os fatores sociais na evolução histórica.
O Escapismo como fator, motor propulsor da origem/criação/da formação das diferentes Escolas Literárias e seus diversos Estilos Literários.
O homem cria e recria a realidade.
Reconhecimento de mundo objeto
Concepção de desenvolvimento (evolução) como um processo que ocorre em estágios de assimilação, incorporação de informações, acomodação (processo de criação ou mudança/ mutação) e recriação, destruição, desconstrução e reconstrução, em simples palavras/outras/em resumo: a assimilação de coisas novas total ou parcialmente (modificadas) e acomodação das coisas velhas ou reação contra elas. A interação desses estágios, a evolução é comum ao longo da vida e está presente em todos os níveis, em todas as áreas de/do esquema evolutivo humano.
Comparando a evolução dos estilos/Escolas Literárias com os estágios do desenvolvimento psicológico humano de Piaget/Piagetiano e de Freud/Freudiano.
Escapismo: ação e reação natural do ser humano, como processo.

INEDIÇÃO DO TEMA

Pesquisa baseada em um estudo diacrônico/uma visão diacrônica, uma característica atemporal (pertencente a todos os tempos). Os conflitos morais e emocionais são a mola propulsora do Escapismo + TÉDIO. O Escapismo como um fatalismo, não controlado ou influenciado pela vontade humana.
O Escapismo como CATARSE: limpeza pela liberação das emoções.
Assuntos correlatos/correlacionados.
Através de uma análise geral dos diferentes períodos literários, buscando estabelecer uma visão de suas características estilísticas peculiares/particulares.
A História da Literatura se divide em fases que apresentam características que refletem o pensamento próprio de sua época histórica, o próprio pensamento, ação e reação do homem sobre si mesmo e os outros.
Os estudos na área de Psicologia foram intensificados, e novos trabalhos de pesquisa foram feitos, dentre eles principalmente no que diziam respeito aos motivos que
As conseqüências do Escapismo no fazer literário.
Justificativa da escolha (motivo, relevância e viabilidade);
Objetivos gerais e específicos
 Metodologia
Plano de trabalho
Cronograma
Indicação de bibliografia lida e a que pretende consultar;
Outros comentários que o candidato julgar necessários.
ABDALA JÚNIOR, Benjamin e CAMPEDELLI, Samira Y. Tempos da Literatura Brasileira. 2ªed. São Paulo: Ática,  1986.
BERND, Zilá. Introdução à literatura negra São Paulo, 1988, p. 82-84.
BERND, Zilá. Negritude e literatura na América Latina. Porto Alegre, Mercado Aberto, 1987, p. 112-118.
BERND, Zilá. ORG. Poesia negra brasileira. Porto Alegre, AGE: IRL:IGEL, 1992, p. 72-79.
CADEMARTORI, Lígia. Períodos literários. 2ª. edição. São Paulo: Ática, 1986.
NICOLA, José de. Literatura Brasileira das origens aos nossos dias. 4ª ed. SP: Scipione,1989.

COUTINHO, Afrânio & SOUSA, J. Galante. Enciclopédia de Literatura Brasileira. 2 ed. revista, ampliada, atualizada e ilustrada sob a coordenação de Graça Coutinho e Rita Moutinho. São Paulo: Global Editora; Rio de Janeiro: Fundação Biblioteca Nacional /DNL : Academia Brasileira de Letras, 2001. V . 2,  p. 1316 e 428.
COUTINHO, Afrânio, dir. A Literatura no Brasil 2.ed. Rio de Janeiro, Editorial Sul-Americana, 1971, v.6, p. 237.
Enciclopédia Microsoft Encarta. Microsoft Corporation. 1993 – 1999.
Grande Enciclopédia Delta-Larousse .Rio de Janeiro, Delta, 1970.
LISBOA, Luís Carlos. Tudo o que você precisa saber para não ser um rato de biblioteca. São Paulo, MU, 1973, p. 241.
MARTINS, Wilson. De re poetica. Jornal do Brasil.
MARTINS, Wilson.  A crítica literária no Brasil. Rio de Janeiro, Francisco Alves, 1983. V. 2 p. 814.
NUNES, Benedito. "Dionísio esfacelado: Cancioneiro do Quilombo dos Palmares". In: O Estado de São Paulo. Ano IV, n. 223, (Cultura) 16.09.84, p. 10
PEIXOTO, Dinah Terra. Uma poesia negra no final do século XX. In: Caleidoscópio. Estudos literários. Faculdade de São gonçalo. AOEC. N.5, 1985, p. 103-26 e n.6 , 1986, p. 156-58.
PFROM NETO et al. O livro na educação. Rio de Janeiro, Primor/ INL,p.203.
PROENÇA  FILHO, Domício. Estilos de época na literatura.  9ª. ed. São Paulo: Ática, 1985

PROENÇA  FILHO, Domício. Pós-Modernismo e Literatura.  São Paulo: Ática, 1988.
PUCHEU, Alberto & MEIRA, Caio, org. Guia conciso de autores brasileiros [Brazilian Authors concise Guide] Rio de Janeiro: Fundação Biblioteca Nacional, Dep. Nacional do Livro; São Paulo: Imprensa Oficial do Estado, 2002. p. 131-32
SENNA, Marta Rocha e Silva de. A Literatura no segundo grau hoje. Littera 8, maio/ago, 1973, p. 119.
TELES, Gilberto Mendonça. Vanguarda Européia e Modernismo Brasileiro. Petrópolis: Vozes, 1972.
UCHOA, Carlos Eduardo Cavalcanti. Língua portuguesa, literatura nacional e a reforma do ensino. Recensão crítica. Littera 8 maio/ago , 1973, p. 124-26
Vilaça, Antônio Carlos. Domício Proença. In: Diário de Faxinal do Céu. Rio de Janeiro: Lacerda Editores, 1998.p. 161-162.




























UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ – CENTRO DE HUMANIDADES – CH

UFC

 

 

 

 

 

 

 

 

 

MARIA CELESTE BRAGA SALES PINHEIRO





O ESCAPISMO NA LITERATURA
















FORTALEZA-CE

2001
MARIA CELESTE BRAGA SALES PINHEIRO











O ESCAPISMO NA LITERATURA















Monografia apresentada como requisito para a conclusão do Curso de Pós-Graduação em Letras, do Centro de Humanidades da Universidade Federal do Ceará.
Orientador(a): 










Orientador(a):


EPÍGRAFE














































SUMÁRIO



INTRODUÇÃO

1.      O ESCAPISMO
1.1.  AS DIFERENTES FORMAS DO ESCAPISMO

2.      A REAÇÃO CONTRA O ESCAPISMO

3.      O NOVO ESCAPISMO

4.      COMENTÁRIO ANALÍTICO DOS POEMAS ESCOLHIDOS

CONCLUSÃO

BIBLIOGRAFIA

ANEXO

























 


BIBLIOGRAFIA



AMARAL, Emília., ANTÔNIO, Severino. e PATROCÍNIO, Mauro Ferreira do.  
         Novo manual nova cultural. São Paulo: Editora Nova Cultural, 2000.

ÁVILA, Fernando Bastos de. Pequena enciclopédia. Rio de Janeiro: 
         FENAME/MEC, 1982.

BARROS, Célia Silva Guimarães. Pontos de Psicologia Escolar. São Paulo:
         Editora Ática, 1991.

CÓRIA-SABINI, Maria Aparecida. Psicologia do desenvolvimento. São Paulo:
         Editora Ática, 1993.

DAVIS, Claudia & Oliveira, Zilma de. Psicologia na Educação. São Paulo: Cortez 
         Editora, 1990.

FADIMAN, James. e FRAGER, Robert. Teorias da Personalidade. São Paulo;
         Editora Harbra, !986.

GOULART, Audemaro Taranto. e SILVA, Oscar Vieira da. Estudo dirigido de

         literatura portuguesa.. São Paulo: Editora do Brasil, 1975. 220 p


HURLOCK, Elizabeth B. Desenvolvimento do Adolescente. São Paulo: McGraw-
         Hill, sem data.

KLUCKHOHM, Clyde e MURRAY, Henry A. Personalidade – na natureza, na
         sociedade e na cultura. Belo Horizonte: Editora Itatiaia, 1965.
  
MOISÉS, Massaud. A Literatura Brasileira, vol. IV - Simbolismo. São Paulo:
         Cultrix, 1973.

MONTEZUMA, Helena. Noções de estilo. Rio de Janeiro: Edições de Ouro/Editora 
         Tecnoprint, sem data.

MAIOR, A. Souto. História geral. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1974.

NICOLA, José de. Literatura portuguesa da idade média a Fernando Pessoa. São 
         Paulo: Editora Scipione, 1997

NICOLA, José de. Literatura brasileira / das origens aos nossos dias. São Paulo:  
         Editora Scipione, 1998.

OGDEN, C. K. e RICHARDS I. A.. O significado de significado- um estudo da
          Influência da Linguagem sobre o Pensamento e sobre a Ciência do  
          Simbolismo. Rio de janeiro: Zahar Editores, 1976. 331 p
PELLEGRINI, Tânia e FERREIRA, Marina. Português/ palavra e arte. São Paulo: 
         Editora Atual, 1996.

PIAGET, Jean. A formação do símbolo na criança – imitação, jogo e sonho
         imagem e representação. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1975.

PLATONOV, C.. Psicologia dos Enigmas. Rio de Janeiro: Editora Fon-Fon e
         Seleta, 1968.

MANIF, Zacharias, ZACHARIAS Elias e SOBRINHO Miguel Zacharias.
         Dicionário de Medicina Legal. Curitiba - Paraná: Educa, 1988.

PROENÇA FILHO, Domicio. A Linguagem Literaria. Sao Paulo: Ática, 1996.

PROENÇA FILHO, Domício. Estilos de época na literatura. 15 ed. São Paulo: Ática, 1995, p. 216-227.

Augusto Ruschi e o desafio do desenvolvimento sustentável.




13º Prêmio Nacional Assis Chateaubriand de Redação/Projeto Memória - Fundação Banco do Brasil
A brincadeira de menino que virou trabalho sério.

Augusto Ruschi e o desafio do desenvolvimento sustentável.

Dedico este trabalho a todos aqueles que, como eu, são amantes fervorosos da natureza ou que, por menor que sejam suas ações de consciência ecológica, por ela zelam todos os dias.

Quando temos que falar de alguém tão importante, não só para o nosso país, mas para a humanidade como foi Augusto Ruschi, a primeira preocupação é não saber se encontraremos as palavras exatas para isso. Suas idéias, suas ações corajosas, seus feitos “heróicos”, merecem uma grandiosa homenagem e agradecimentos eternos; e é com grande satisfação que temos a oportunidade de realizar um trabalho em que compartilhamos sua história de vida, seus ideais exemplares.
Augusto Ruschi, um dos doze filhos de Giuseppe Ruschi e Maria Roatti, nasceu em dezembro de 1915, em Santa Teresa, uma cidadezinha capixaba de serra que acolhia muitos imigrantes colonizadores italianos. Ruschi foi mesmo destas pessoas predestinadas, tocadas por uma luz divina que lhe dá plenos poderes de ação e saber natural. Nascido no meio de uma família cuja ancestralidade ou hereditariedade gerou um homem que tinha, até no nome, uma íntima ligação com a natureza e por ela levantou bandeira lutando de todas as formas, com todas as armas, pela sua preservação, tendo sua vocação despertada muito cedo por sua extrema curiosidade pelo próprio ambiente familiar, na Chácara Anita, pois, seu pai tinha como profissão a lida com a terra, gostava de cultivar flores que se tornaram o primeiro objeto de observação do filho.
Em 1925, se mudou para Vitória, se matriculou no colégio estadual e lá foi aluno de Maria Estela de Novaes, professora de Ciências e História Natural, que primeiro percebeu e incentivou suas aptidões “naturais” em suas travessuras, quando brincava com insetos que levava em vidrinhos e caixas de fósforos,plantas e outros bichos. Como se não bastasse chegou por muitas vezes a questionar as informações que traziam os livros didáticos considerando erradas ou insuficientes quando comparava com suas observações de campo. Ainda enumerando provas de sua precocidade científica enviou materiais coletados por ele para os pesquisadores do Museu Nacional e do Jardim Botânico em troca de bibliografias especializadas e atuais.
Desses materiais enviados o que mais impressionou aos pesquisadores, foi o de uma praga da lavoura que costumava atacar os laranjais, pois, trazia informações que descreviam minuciosamente seu ciclo de vida depois de observar mais de 500 caixas de lagartas. Foi dessa feita que o Prof. Mello Leitão, grande cientista brasileiro, se interessou e acreditou no talento desse jovem autodidata de apenas 12 anos ao repassar tais informações a Filippo Silvestre, cientista italiano que por muito tempo buscava a solução para esse problema mundial. O trabalho de observação de Ruschi era exatamente o que faltava para complementar a pesquisa milionária de Filippo.
O rapazinho de Santa Teresa orgulhava a classe de cientistas do Brasil e da Itália pela importante contribuição nas pesquisas. Como recompensa fora apadrinhado pelo Prof. Mello Leitão que cuidou do aperfeiçoamento científico e do desenvolvimento de suas pesquisas à distância.
            Cinco anos depois, Ruschi começou a trabalhar como coletor de diferentes espécies de plantas e bichos para o Museu Nacional e Jardim Botânico ajudando no cadastramento da fauna e da flora da Mata Atlântica.
            Foi para o Rio de Janeiro em 1937, se tornou Professor da Universidade Federal do Brasil (atual UFRJ) e amigo particular de Mello Leitão que continuou a apoiá-lo e orientá-lo. Nesse período dedicou-se integralmente às suas pesquisas bibliográficas e de laboratório que por muitas vezes continuavam sendo contestadas por sua vivência. Também observou que algumas espécies de animais não tinham recebido merecido estudo, os beija-flores estavam nessa lista. Desde então passou a se dedicar a esses animais que eram de seu maior interesse e paixão precisando voltar ao trabalho de campo que lhe era mais satisfatório. Coincidentemente nessa mesma época adoeceu seriamente e precisou de tratamento e convalescência junto à família, voltando à sua terra natal e ao contato com a natureza. Aproveitando o empurrãozinho do destino e tempo não só levantou dados científicos sobre esses bichinhos voadores como também sobre orquídeas e demais plantas polinizadas por eles. Mas o fato mais impressionante foi ter conseguido sua reprodução e domesticação em cativeiro, tornando-se internacionalmente conhecido como o precursor dessas pesquisas e autor da maior obra escrita sobre o assunto.
            Embora tenha voltado à sua terra não se esqueceu de seu grande amigo e incentivador. Sua gratidão fez com que fundasse em sua Chácara Anita o Museu de Biologia Professor Mello Leitão, no dia 26 de junho de 1949, data de aniversário da colonização de Santa Teresa pelos italianos, para servir de suporte para a política estadual de meio ambiente e para suas pesquisas. Desde essa data deu início ao levantamento de trabalhos realizados até então e Para dar início às atividades científicas do Museu, juntou todos os levantamentos que havia realizado até então e deu início às suas publicações.
            Os anos passaram e Ruschi acumulou cargos em diversas áreas de conhecimento das Ciências Naturais e Humanas. Tais capacidades múltiplas o tornaram capaz de prestar serviços ao Ministério da Agricultura, Educação e Governo do Estado do Espírito Santo. Na Secretaria do Ministério da Agricultura assessorou no desenvolvimento de projetos pioneiros e políticas de preservação do meio ambiente implantando diversas unidades de conservação.
Um dos episódios mais divulgados foi o de 1977 quando enfrentou o próprio Governador de seu Estado que desejava implantar uma fábrica de palmitos enlatados, que seriam extraídos na Reserva de Santa Lúcia (Estação Biológica do Museu Nacional), uma das regiões mais ricas do mundo em flora epífita, não deixando entrar os fiscais do governo para fazer a topografia do local. O evento foi divulgado pela imprensa para o mundo. Ruschi se transformou num mito e recebeu manifestações de apoio no intuito de fazer o Governador recuar com seu empreendimento.
            Sua preocupação ecológica não se resumiu à sua terra. Ele fez excursões pelo Brasil fazendo observações e estudos aprofundados dos diversos tipos de vida animal e vegetal das matas e florestas tropicais fazendo muitas descobertas maravilhosas e ao mesmo tempo outras terríveis que colocavam em perigo a vida de todas as espécies, inclusive a humana. Ele sofria penalizado e sua indignação aumentava dando-lhe força, motivação e coragem de enfrentar quem quer que fosse para defender as matas virgens e as reservas ecológicas. Ele teve a coragem de enfrentar também o Governo Militar, denunciando a derrubada de áreas na Amazônia, que ele considerava o maior crime contra a vida no planeta. Desde então viu a necessidade de trabalhar a conscientização do impacto ambiental espalhando seus conhecimentos sobre a complexidade e dependência que temos da manutenção do equilíbrio natural, além de mostrar que é possível manter uma relação respeitosa e sustentável com o meio ambiente alertando também para a contenção da poluição. Um homem que passou 50 anos no interior da floresta para estudá-la deveria saber muito bem o que dizia e merecidamente pode ser chamado de “Dom Quixote das Matas”. 
Ruschi também manteve contato com tribos indígenas do Brasil e de seus países vizinhos com as quais trocou informações importantíssimas sem registro científico sobre fauna, flora e medicina natural de cura para determinadas doenças tropicais, fato que só constatou o valor cultural desses povos e fez crescer a admiração e necessidade de lutar em defesa deles.
Não considerando suficientes as pesquisas e excursões, em seu país, realizou outras inúmeras por todos os lugares do mundo, da Patagônia ao Alasca, registrando todas as suas descobertas e conclusões que só vinham confirmar as suas pressuposições de que é condição indispensável à preservação de certas áreas de reserva genética de espécimes, principalmente aquelas já ameaçadas de extinção.
Considero ingrato os últimos anos da vida de Augusto Ruschi, adoentado, com seqüelas de esquistossomose e malária, contraídas durante suas pesquisas nas florestas e resquícios do veneno absorvido de sapos. Procurou a cura na medicina convencional dos brancos, sem sucesso. E o que é mais arbitrário, nem mesmo a cura natural indígena à qual se submeteu o ajudou a enfrentar a doença. Ruschi morreu de cirrose hepática, causada pelo comprometimento de seu fígado e hepatite B e C. Seu último desejo foi ser enterrado nas matas da Reserva Biológica de Santa Lúcia, no dia 05 de junho de 1986, não sei se por coincidência ou em sua homenagem, Dia Mundial do Meio Ambiente. Após seu falecimento, recebeu da Câmara dos Deputados o título de Patrono da Ecologia no Brasil.
A ideologia de Ruschi não pode ser taxada de romântica ou utópica, pois é baseada em pesquisas científicas sérias de objetos de observação concretos, com resultados claros e conclusões evidentes. Ele não tem dúvidas de que precisamos fazer uso dos bens da natureza, apenas quer que tenhamos a consciência de que esse uso deve ser racional. Ruschi nem sequer nos deixou o trabalho de pensarmos em como fazer isso uma vez que não poupou esforços para registrar tudo de todas as formas possíveis. Não é à toa que realizou 450 trabalhos e publicou 22 livros, dentre eles, os mais famosos, Aves do Brasil Volumes I e II, Beija-Flores do Espírito Santo, Beija-Flores do Brasil Volumes I e II, Fitogeografia do Estado Espírito Santo, Orquídeas do Espírito Santo, Agroecologia. Editou cerca de 400 números do Boletim do MBML. Lançou duas teses principais: uma sobre as Reservas Ecológicas e outra sobre o Desenvolvimento Agrícola Auto-sustentável em Florestas Tropicais (tese lançada num dos primeiros Congressos Florestais de âmbito internacional, em Roma, no ano de 1951, sendo muito bem recebida nos meios científicos e difundida por toda a Europa). Tal tese gerou frutos, começaram a surgir Reservas e importantes políticas de preservação do meio ambiente. Além disso, publicou vários trabalhos sobre os efeitos poluidores de agrotóxicos sobre os ecossistemas, sendo um dos primeiros a denunciar à sociedade os perigos do DDT, tão utilizado após a Segunda Guerra Mundial no controle de pragas, intensificado pela necessidade de aumentar a produção de alimentos, iniciando a discussão dos efeitos poluidores de agrotóxicos sobre os ecossistemas. Há ainda quem afirme que ainda falta muito para se resgatar de sua obra (escrita e concreta) que o coloca entre um dos mil grandes homens que construíram o saber e as idéias do século XX.
Se homens como Augusto Ruschi, visionário do futuro, não tivessem existido não há dúvida de que o processo de destruição do planeta já estivesse em estágio mais avançado. Os amigos como Assis Chateaubriand servem de interlocutores dessa história fabulosa, que deve ser perpetuada e gerar frutos de mudança na relação do homem com seu meio ambiente através da educação ecológica infantil. Consciente disso e movido por amor, André Ruschi, seu filho vem dando continuidade à sua obra, pesquisando e elaborando teorias e metodologias sobre Educação Ambiental com crianças, projeto desenvolvido pela Estação Biologia Marinha Ruschi (instituição de pesquisas criada por Ruschi em 1970).
Ele conseguiu nos tocar despertando a consciência ecológica, nos advertiu sobre as conseqüências dos maus-tratos que dispensamos ao meio ambiente, nosso planeta, nossa casa. Nossas florestas, há tempos, estão sendo desmatadas e velozmente se transformando em cemitérios. Engana-se quem pensa que o único líquido derramado foi o da seiva das árvores. Houve também o sangue de animais que vivem acolhidos em seus troncos, em suas sombras, em seus galhos; que comem de suas folhas, se alimentam de suas sementes e frutos ou do néctar de suas flores e aqueles que vivem em seu subsolo junto às suas raízes.
O homem regido pelo egocentrismo, alimentado pela ignorância está contribuindo de forma absurda para a marcha para a extinção da vida no planeta terra. A ambição desmedida, o consumo desenfreado, aliada à necessidade
A poluição das águas, as queimadas, o desmatamento, o tráfico de animais desequilibra todo o ecossistema. Será que não percebem que o ser humano também faz parte dessa grande teia, que mais cedo ou mais tarde “pagaremos o pato”. A justiça agirá cegamente. Seremos abatidos pelas forças naturais: terremotos, enchentes, furacões, maremotos. Para a natureza todos somos culpados. Seremos julgados por aqueles papeizinhos de bombom que jogamos inocentemente na rua, que se uniu aos sacos de plásticos, que estavam juntos a uma caixa de isopor, que se enganchou na boca de lobo da Rua da Maria que ficou alagada matando afogado seu pai idoso. Mas, também teve o filho caçula do Pedro que morreu infectado por uma doença dessas causada pela urina do rato, ou será de barata?
Se todos tivéssemos consciência ecológica, educação ambiental e reconhecimento da importância do desenvolvimento sustentável essa e outras histórias poderiam ser diferentes.






Augusto Ruschi e o desafio do desenvolvimento sustentável.


Quando temos que falar de alguém tão importante, não só para o nosso país, mas para a humanidade como foi Augusto Ruschi, a primeira preocupação é não saber se encontraremos as palavras exatas para isso. Suas idéias, suas ações corajosas, seus feitos “heróicos”, merecem uma grandiosa homenagem e agradecimentos eternos; e é com grande satisfação que temos a oportunidade de realizar um trabalho em que compartilhamos sua história de vida, seus ideais exemplares.
Augusto Ruschi, um dos doze filhos de Giuseppe Ruschi e Maria Roatti, nasceu em dezembro de 1915, em Santa Teresa, uma cidadezinha capixaba de serra, que acolhia muitos imigrantes colonizadores italianos. Podemos dizer que ele foi mesmo destas pessoas predestinadas, tocadas por uma luz divina que lhe dá plenos poderes de ação e saber natural.
Nascido no meio de uma família cuja ancestralidade ou hereditariedade gerou um homem que tinha, até no nome, uma íntima ligação com a natureza e por ela levantou bandeira lutando de todas as formas, com todas as armas, pela sua preservação, tendo sua vocação despertada muito cedo por sua extrema curiosidade pelo próprio ambiente familiar, na Chácara Anita, em Santa Lúcia, pois, seu pai tinha como profissão a lida com a terra, gostava de cultivar flores que se tornaram o primeiro objeto de observação do filho.
Em 1925, se mudou para Vitória, se matriculou no colégio estadual e lá foi aluno de Maria Estela de Novaes, professora de Ciências e História Natural, que primeiro percebeu e incentivou suas aptidões “naturais” em suas travessuras, quando brincava com insetos que levava em vidrinhos e caixas de fósforos,plantas e outros bichos. Como se não bastasse chegou por muitas vezes a questionar as informações que traziam os livros didáticos considerando erradas ou insuficientes quando comparava com suas observações de campo. Ainda enumerando provas de sua precocidade científica enviou materiais coletados por ele para os pesquisadores do Museu Nacional e do Jardim Botânico em troca de bibliografias especializadas e atuais.
Desses materiais enviados o que mais impressionou aos pesquisadores, foi o de uma praga da lavoura que costumava atacar os laranjais, pois, trazia informações que descreviam minuciosamente seu ciclo de vida depois de observar mais de 500 caixas de lagartas. Foi dessa feita que o Prof. Mello Leitão, grande cientista brasileiro, se interessou e acreditou no talento desse jovem autodidata de apenas 12 anos ao repassar tais informações a Filippo Silvestre, cientista italiano que por muito tempo buscava a solução para esse problema mundial. O trabalho de observação de Ruschi era exatamente o que faltava para complementar a pesquisa milionária de Filippo.
O rapazinho de Santa Teresa orgulhava a classe de cientistas do Brasil e da Itália pela importante contribuição nas pesquisas. Como recompensa fora apadrinhado pelo Prof. Mello Leitão que cuidou do aperfeiçoamento científico e do desenvolvimento de suas pesquisas à distância.
            Cinco anos depois, Ruschi começou a trabalhar como coletor de diferentes espécies de plantas e bichos para o Museu Nacional e Jardim Botânico ajudando no cadastramento da fauna e da flora da Mata Atlântica.
            Foi para o Rio de Janeiro em 1937, se tornou Professor da Universidade Federal do Brasil (atual UFRJ) e amigo particular de Mello Leitão que continuou a apoiá-lo e orientá-lo. Nesse período dedicou-se integralmente às suas pesquisas bibliográficas e de laboratório que por muitas vezes continuavam sendo contestadas por sua vivência. Também observou que algumas espécies de animais não tinham recebido merecido estudo, os beija-flores estavam nessa lista. Desde então passou a se dedicar a esses animais que eram de seu maior interesse e paixão precisando voltar ao trabalho de campo que lhe era mais satisfatório. Coincidentemente nessa mesma época adoeceu seriamente e precisou de tratamento e convalescência junto à família, voltando à sua terra natal e ao contato com a natureza. Aproveitando o empurrãozinho do destino e tempo não só levantou dados científicos sobre esses bichinhos voadores como também sobre orquídeas e demais plantas polinizadas por eles. Mas o fato mais impressionante foi ter conseguido sua reprodução e domesticação em cativeiro, tornando-se internacionalmente conhecido como o precursor dessas pesquisas e autor da maior obra escrita sobre o assunto.
            Embora tenha voltado à sua terra não se esqueceu de seu grande amigo e incentivador. Sua gratidão fez com que fundasse em sua Chácara Anita o Museu de Biologia Professor Mello Leitão, no dia 26 de junho de 1949, data de aniversário da colonização de Santa Teresa pelos italianos, para servir de suporte para a política estadual de meio ambiente e para suas pesquisas. Desde essa data deu início ao levantamento de trabalhos realizados até então e Para dar início às atividades científicas do Museu, juntou todos os levantamentos que havia realizado até então e deu início às suas publicações.
            Os anos passaram e Ruschi acumulou cargos em diversas áreas de conhecimento das Ciências Naturais e Humanas. Tais capacidades múltiplas o tornaram capaz de prestar serviços ao Ministério da Agricultura, Educação e Governo do Estado do Espírito Santo. Na Secretaria do Ministério da Agricultura assessorou no desenvolvimento de projetos pioneiros e políticas de preservação do meio ambiente implantando diversas unidades de conservação.
            Sua preocupação ecológica não se resumiu à sua terra. Ruschi fez excursões pelo Brasil fazendo observações e estudos aprofundados dos diversos tipos de vida animal e vegetal das matas e florestas tropicais fazendo muitas descobertas maravilhosas e ao mesmo tempo outras terríveis que colocavam em perigo a vida de todas as espécies, inclusive a humana. Ele sofria penalizado e sua indignação aumentava dando-lhe força, motivação e coragem de enfrentar quem quer que fosse para defender as matas virgens e as reservas ecológicas. Ele teve a coragem de enfrentar também o Governo Militar, denunciando a derrubada de áreas na Amazônia, que ele considerava o maior crime contra a vida no planeta. Desde então viu a necessidade de trabalhar a conscientização do impacto ambiental espalhando seus conhecimentos sobre a complexidade e dependência que temos da manutenção do equilíbrio natural, além de mostrar que é possível manter uma relação respeitosa e sustentável com o meio ambiente alertando também para a contenção da poluição. Um homem que passou 50 anos no interior da floresta para estudá-la deveria saber muito bem o que dizia e merecidamente pode ser chamado de “Dom Quixote das Matas”. 
Ruschi também manteve contato com tribos indígenas do Brasil e de seus países vizinhos com as quais trocou informações importantíssimas sem registro científico sobre fauna, flora e medicina natural de cura para determinadas doenças tropicais, fato que só constatou o valor cultural desses povos e fez crescer a admiração e necessidade de lutar em defesa deles.
Não considerando suficientes as pesquisas e excursões, em seu país, realizou outras inúmeras por todos os lugares do mundo, da Patagônia ao Alasca, registrando todas as suas descobertas e conclusões que só vinham confirmar as suas pressuposições de que é condição indispensável à preservação de certas áreas de reserva genética de espécimes, principalmente aquelas já ameaçadas de extinção.
Foram ingratos os últimos anos da vida de Augusto Ruschi, adoentado, com seqüelas de esquistossomose e malária, contraídas durante suas pesquisas nas florestas e resquícios do veneno absorvido de sapos. Procurou a cura na medicina convencional dos brancos, sem sucesso. E o que é mais arbitrário, nem mesmo a cura natural indígena à qual se submeteu o ajudou a enfrentar a doença. Ruschi morreu de cirrose hepática, causada pelo comprometimento de seu fígado e hepatite B e C. Seu último desejo foi ser enterrado nas matas da Reserva Biológica de Santa Lúcia, no dia 05 de junho de 1986, não sei se por coincidência ou em sua homenagem, Dia Mundial do Meio Ambiente. Após seu falecimento, recebeu da Câmara dos Deputados o título de Patrono da Ecologia no Brasil.
A ideologia de Ruschi não pode ser taxada de romântica ou utópica, pois é baseada em pesquisas científicas sérias de objetos de observação concretos, com resultados claros e conclusões evidentes. Ele não tem dúvidas de que precisamos fazer uso dos bens da natureza, apenas quer que tenhamos a consciência de que esse uso deve ser racional. Ruschi nem sequer nos deixou o trabalho de pensarmos em como fazer isso uma vez que não poupou esforços para registrar tudo de todas as formas possíveis. Não é à toa que realizou 450 trabalhos e publicou 22 livros. Há ainda quem afirme que ainda falta muito para se resgatar de sua obra (escrita e concreta) que o coloca entre um dos mil grandes homens que construíram o saber e as idéias do século XX.
Se um homem como Augusto Ruschi, visionário do futuro, não tivesse existido não há dúvida de que o processo de destruição do planeta já estivesse em estágio mais avançado. Os amigos como Assis Chateaubriand servem de interlocutores dessa história fabulosa, que deve ser perpetuada e gerar frutos de mudança na relação do homem com seu meio ambiente através da educação ecológica infantil.
Augusto Ruschi conseguiu nos tocar despertando a consciência ecológica, nos advertiu sobre as conseqüências dos maus-tratos que dispensamos ao meio ambiente, nosso planeta, nossa casa. Nossas florestas, há tempos, estão sendo desmatadas e velozmente se transformando em cemitérios. Engana-se quem pensa que o único líquido derramado foi o da seiva das árvores. O homem regido pelo egocentrismo e ambição, alimentado pela ignorância está contribuindo de forma absurda para a marcha para a extinção da vida no planeta terra, gerando um consumismo desenfreado e insensato.
A poluição das águas, as queimadas, o desmatamento, o tráfico de animais desequilibra todo o ecossistema. Será que não está claro que o ser humano também faz parte dessa grande teia, que mais cedo ou mais tarde “pagaremos o pato”. A justiça agirá cegamente. Seremos abatidos pelas forças naturais: terremotos, enchentes, furacões, maremotos. Para a natureza todos somos culpados. Se todos tivéssemos consciência ecológica, educação ambiental e reconhecimento da importância do desenvolvimento sustentável essa e outras histórias poderiam ser diferentes.

terça-feira, 4 de novembro de 2014

INTERPRETAÇÃO DE TEXTO - VIOLÊNCIA URBANA

Violência epidêmica

Drauzio Varella
A violência urbana é uma enfermidade contagiosa. Embora possa acometer indivíduos vulneráveis em todas as classes sociais, é nos bairros pobres que ela adquire características epidêmicas.
A prevalência varia de um país para outro e entre as cidades de um mesmo país, mas, como regra, começa nos grandes centros urbanos e se dissemina pelo interior. A incidência nem sempre é crescente; mudança de fatores ambientais e medidas mais eficazes de repressão, por exemplo, podem interferir em sua escalada.
As estratégias que as sociedades adotam para combater a violência flutuam ao sabor das emoções, raramente o conhecimento científico sobre o tema é levado em consideração. Como reflexo, a prevenção das causas e o tratamento das pessoas violentas evoluíram muito pouco no decorrer do século XX, ao contrário dos avanços ocorridos no campo das infecções, câncer, diabetes e outras enfermidades.
A agressividade impulsiva é consequência de perturbações nos mecanismos biológicos de controle emocional. Tendências agressivas surgem em indivíduos com dificuldades adaptativas que os tornam despreparados para lidar com as frustrações de seus desejos.
A violência urbana é uma doença com múltiplos fatores de risco, dos quais os mais relevantes são a pobreza e a vulnerabilidade biológica.
Os mais vulneráveis são os que tiveram a personalidade formada num ambiente desfavorável ao desenvolvimento psicológico pleno. A revisão dos estudos científicos já publicados permite identificar três fatores principais na formação das personalidades com maior inclinação ao comportamento violento:
1) crianças que apanharam, foram abusadas sexualmente, humilhadas ou desprezadas nos primeiros anos de vida;
2) adolescência vivida em famílias que não lhes transmitiram valores sociais altruísticos, formação moral e não lhes impuseram limites de disciplina;
3) associação com grupos de jovens portadores de comportamento antissocial.
Na periferia das cidades brasileiras vivem milhões de crianças que se enquadram nessas três condições de risco. Associadas à falta de acesso aos recursos materiais, à desigualdade social, à corrupção policial e ao péssimo exemplo de impunidade dado pelos chamados criminosos de colarinho-branco, esses fatores de risco criam o caldo de cultura que alimenta a violência crescente nas cidades.
Na falta de outra alternativa, damos à criminalidade a resposta do aprisionamento. Embora pareça haver consenso de que essa seja a medida ideal e de que lugar de bandido é na cadeia, não se pode esquecer de que o custo social de tal solução está longe de ser desprezível. Além disso, seu efeito é passageiro: o criminoso fica impedido de delinquir apenas enquanto estiver preso. Ao sair, estará mais pobre, terá rompido laços familiares e sociais e dificilmente encontrará quem lhe dê emprego. Ao mesmo tempo, na prisão, terá criado novas amizades e conexões mais sólidas com o mundo do crime.
Construir cadeias custa caro; administrá-las, mais ainda. Para agravar, obrigados a optar por uma repressão policial mais ativa, aumentaremos o número de prisioneiros a ponto de não conseguirmos edificar prisões na velocidade necessária para albergá-los. As cadeias continuarão superlotadas, e o poder dentro delas, nas mãos dos criminosos organizados.
Seria mais sensato investir o que gastamos com as cadeias em educação, para prevenir a criminalidade e tratar os que ingressaram nela. Mas, como reagir diante da ousadia sem limites dos que fizeram do crime sua profissão sem investir pesado no aparelho repressor e no aprisionamento, mesmo reconhecendo que essa é uma guerra perdida?Estamos nesse impasse!
Na verdade, não existe solução mágica a curto prazo. Precisamos de uma divisão de renda menos brutal, motivar os policiais a executar sua função com dignidade, criar leis que acabem com a impunidade dos criminosos bem sucedidos e construir cadeias novas para substituir as velhas, mas isso não resolverá o problema enquanto a fábrica de ladrões colocar em circulação mais criminosos do que nossa capacidade de aprisioná-los.
Só teremos tranquilidade nas ruas quando entendermos que ela depende do envolvimento de cada um de nós na educação das crianças nascidas na periferia do tecido social. O desenvolvimento físico e psicológico das crianças acontece por imitação. Sem nunca ter visto um adulto, ela andará literalmente de quatro pelo resto da vida. Se não estivermos por perto para dar atenção e exemplo de condutas mais dignificantes para esse batalhão de meninos e meninas soltos nas ruas pobres das cidades brasileiras, vai faltar dinheiro para levantar prisões.
Enquanto não aprendemos a educar e oferecer medidas preventivas para que os pais evitem ter filhos que não serão capazes de criar, cabe a nós a responsabilidade de integrá-los na sociedade por meio da educação formal de bom nível, das práticas esportivas e da oportunidade de desenvolvimento artístico.

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