Poética
Estou farto do lirismo comedido
Do lirismo bem comportado
Do lirismo funcionário público com livro de ponto expediente
protocolo e manifestações de apreço ao Sr. diretor.
Estou farto do lirismo que pára e vai averiguar no dicionário
o cunho vernáculo de um vocábulo.
Abaixo os puristas
Todas as palavras sobretudo os barbarismos universais
Todas as construções sobretudo as sintaxes de exceção
Todos os ritmos sobretudo os inumeráveis
Estou farto do lirismo namorador
Político
Raquítico
Sifilítico
De todo lirismo que capitula ao que quer que seja
fora de si mesmo
De resto não é lirismo
Será contabilidade tabela de co-senos secretário do amante
exemplar com cem modelos de cartas e as diferentes
maneiras de agradar às mulheres, etc
Quero antes o lirismo dos loucos
O lirismo dos bêbedos
O lirismo difícil e pungente dos bêbedos
O lirismo dos clowns de Shakespeare
- Não quero mais saber do lirismo que não é libertação.
ENEM & CIA: DIÁRIO DE REPERTÓRIOS, PESQUISAS E PRÁTICAS EM PERMANENTE ATUALIZAÇÃO
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terça-feira, 1 de setembro de 2015
NARRATIVA LITERÁRIA
TODA NARRATIVA SE ORGANIZA EM TORNO DE UM CONFLITO.
O CONFLITO (OU COMPLICAÇÃO) DE UMA NARRATIVA É SEU ELEMENTO DE TENSÃO, CAPAZ DE PRENDER A ATENÇÃO DO LEITOR.
CLÍMAX - NOME DADO AO PONTO MÁXIMO DE UMA TENSÃO.
O DESFECHO DE UMA NARRATIVA CORRESPONDE À RESOLUÇÃO DE SEU CONFLITO.
O CONFLITO (OU COMPLICAÇÃO) DE UMA NARRATIVA É SEU ELEMENTO DE TENSÃO, CAPAZ DE PRENDER A ATENÇÃO DO LEITOR.
CLÍMAX - NOME DADO AO PONTO MÁXIMO DE UMA TENSÃO.
O DESFECHO DE UMA NARRATIVA CORRESPONDE À RESOLUÇÃO DE SEU CONFLITO.
...SERÁ QUE A TECNOLOGIA ESTÁ REDEFININDO QUEM SOMOS? - MARCELO GLEISER.
...Não há dúvida de que a internet está transformando o mundo, de que
vivemos em meio a uma revolução. A questão, ou uma delas, é que tipo de
revolução é essa: será que a internet pode ser comparada, por exemplo,
ao telefone ou ao carro, ou mesmo à imprensa de tipo móvel, que
revolucionou o livro? Ou será que ela pertence a outra classe de
tecnologia, que não só transforma a sociedade mas que vai além,
redefinindo quem somos?
A questão é complicada, difícil até de ser formulada. O telefone e o carro transformaram o modo como as pessoas se comunicavam, iam ao trabalho, viajavam, viam o mundo. Como toda tecnologia que se torna de uso público, primeiro começaram pequenos, com alcance limitado: eram poucas as linhas telefônicas e as estradas.
Aos poucos, as coisas foram crescendo e, em meados do século 20, telefones e estradas estavam pelo mundo todo. Uma diferença bem importante é que a internet, por ser acessível por computadores, é bem mais aberta aos jovens. Telefones celulares também; os jovens têm a sua privacidade, o seu espaço virtual separado do dos pais e irmãos. A comunicação é tão fácil e rápida que chega a tornar o contato direto, em carne e osso, desnecessário.
Talvez seja uma preocupação dos meus leitores mais velhos, que, como eu, nutriam as amizades no campo real e não por meio de sites como Facebook e Twitter, mas será que a internet nos fará desaprender como nos relacionar diretamente com outros seres humanos?
Deixando esse tipo de preocupação de lado, se olharmos para a história da civilização, veremos que podemos contá-la como uma história da tecnologia. À medida que novas tecnologias foram sendo desenvolvidas, do controle do fogo e da rotação de terra na agricultura até a roda, o arado e os transistores e semicondutores usados em aparelhos eletrônicos, nossa história foi, em grande parte, determinada pelas nossas máquinas. Valores e interesses mudam, e visões de mundo se transformam de acordo com nossos instrumentos.
O Homo habilis, nosso ancestral que usou ferramentas pela primeira vez, evoluiu rumo ao Homo sapiens e, agora, este se transforma no Homo conectus. Será que nossos avanços tecnológicos são, hoje, a principal mola da nossa evolução como espécie? Nesse caso, será que a tecnologia está redefinindo o que significa ser humano?
Descontando uma grande devastação biológica, como uma epidemia de proporções globais ou um cataclismo climático ou ecológico, somos donos da nossa evolução: nossa transformação como espécie ocorre muito menos devido a mutações aleatórias e ao processo de seleção natural do que, por exemplo, devido a um maior intercâmbio racial, à melhor alimentação e aos avanços da medicina, à integração de tecnologias diversas com o corpo (marca-passos, órgãos e membros artificiais) e com a mente (drogas que mudam nossas emoções, implantes nos olhos e ouvidos, chips no cérebro).
A internet talvez represente uma nova fronteira, a da integração coletiva da humanidade a um nível sem precedentes. Se não no mundo real, ao menos no virtual.
(Folha de SP, 8/11)
A questão é complicada, difícil até de ser formulada. O telefone e o carro transformaram o modo como as pessoas se comunicavam, iam ao trabalho, viajavam, viam o mundo. Como toda tecnologia que se torna de uso público, primeiro começaram pequenos, com alcance limitado: eram poucas as linhas telefônicas e as estradas.
Aos poucos, as coisas foram crescendo e, em meados do século 20, telefones e estradas estavam pelo mundo todo. Uma diferença bem importante é que a internet, por ser acessível por computadores, é bem mais aberta aos jovens. Telefones celulares também; os jovens têm a sua privacidade, o seu espaço virtual separado do dos pais e irmãos. A comunicação é tão fácil e rápida que chega a tornar o contato direto, em carne e osso, desnecessário.
Talvez seja uma preocupação dos meus leitores mais velhos, que, como eu, nutriam as amizades no campo real e não por meio de sites como Facebook e Twitter, mas será que a internet nos fará desaprender como nos relacionar diretamente com outros seres humanos?
Deixando esse tipo de preocupação de lado, se olharmos para a história da civilização, veremos que podemos contá-la como uma história da tecnologia. À medida que novas tecnologias foram sendo desenvolvidas, do controle do fogo e da rotação de terra na agricultura até a roda, o arado e os transistores e semicondutores usados em aparelhos eletrônicos, nossa história foi, em grande parte, determinada pelas nossas máquinas. Valores e interesses mudam, e visões de mundo se transformam de acordo com nossos instrumentos.
O Homo habilis, nosso ancestral que usou ferramentas pela primeira vez, evoluiu rumo ao Homo sapiens e, agora, este se transforma no Homo conectus. Será que nossos avanços tecnológicos são, hoje, a principal mola da nossa evolução como espécie? Nesse caso, será que a tecnologia está redefinindo o que significa ser humano?
Descontando uma grande devastação biológica, como uma epidemia de proporções globais ou um cataclismo climático ou ecológico, somos donos da nossa evolução: nossa transformação como espécie ocorre muito menos devido a mutações aleatórias e ao processo de seleção natural do que, por exemplo, devido a um maior intercâmbio racial, à melhor alimentação e aos avanços da medicina, à integração de tecnologias diversas com o corpo (marca-passos, órgãos e membros artificiais) e com a mente (drogas que mudam nossas emoções, implantes nos olhos e ouvidos, chips no cérebro).
A internet talvez represente uma nova fronteira, a da integração coletiva da humanidade a um nível sem precedentes. Se não no mundo real, ao menos no virtual.
(Folha de SP, 8/11)
TEXTO DE OPINIÃO = ARGUMENTAÇÃO
O COMPONENTE MAIS IMPORTANTE DE UMA ARGUMENTAÇÃO É A SUA TESE.
A TESE DE UM TEXTO ARGUMENTATIVO É O PONTO DE VISTA OU POSICIONAMENTO ASSUMIDO PELO AUTOR A RESPEITO DO TEMA EM DISCUSSÃO.
TEXTOS ESCRITOS PARA DEFENDER UMA OPINIÃO SOBRE DETERMINADO TEMA SÃO TEXTOS ARGUMENTATIVOS.
UMA BOA ARGUMENTAÇÃO DEVE UTILIZAR ARGUMENTOS QUE CONFIRMEM SUAS TESES.
OS TÍTULOS DOS TEXTOS SÃO UMA PISTA MUITO IMPORTANTE SOBRE O SEU CONTEÚDO, E COSTUMAM INDICAR O SEU TEMA CENTRAL.
POLÊMICA - DIFERENTES POSICIONAMENTOS A RESPEITO DO TEMA EM DISCUSSÃO.
A TESE DE UM TEXTO ARGUMENTATIVO É O PONTO DE VISTA OU POSICIONAMENTO ASSUMIDO PELO AUTOR A RESPEITO DO TEMA EM DISCUSSÃO.
TEXTOS ESCRITOS PARA DEFENDER UMA OPINIÃO SOBRE DETERMINADO TEMA SÃO TEXTOS ARGUMENTATIVOS.
UMA BOA ARGUMENTAÇÃO DEVE UTILIZAR ARGUMENTOS QUE CONFIRMEM SUAS TESES.
OS TÍTULOS DOS TEXTOS SÃO UMA PISTA MUITO IMPORTANTE SOBRE O SEU CONTEÚDO, E COSTUMAM INDICAR O SEU TEMA CENTRAL.
POLÊMICA - DIFERENTES POSICIONAMENTOS A RESPEITO DO TEMA EM DISCUSSÃO.
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